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Jaó-do-sul

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Classificação Científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
 Gray, 1840
Espécie: C. noctivagus
Nome Científico
Crypturellus noctivagus
(Wied, 1820)
Nome em Inglês
Yellow-legged Tinamou

Estado de ConservaçãoQuase Ameaçada

Fotos | Sons

Jaó-do-sul

**Ameaçado de extinção**

O jaó-do-litoral (Crypturellus noctivagus noctivagus), em inglês: Yellow-legged Tinamou; é uma ave Tinamiforme, que habita a Mata Atlântica costeira do Sudeste ao Sul do Brasil, entre 0 e 400 m de altitude. Seu habitat típico são as florestas altas de restinga em estado primário, na planície litorânea e estendendo-se à florestas de encostas serranas e de vales de rios, dentro dessa faixa aproximada de altitude. É conhecido também por jaó-do-sul, jaó-da-mata, juó ou juô (litoral do Estado de São Paulo).

Características

Mede entre 32 a 34 cm. As linhas horizontais vermelho-acobreado no dorso inferior, o tom alaranjado do ventre e garganta, e a tonalidade corporal cinza-azulado são colorações típicas do jaó do litoral; as quais tendem a tonalidades de marrom na subespécie nordestina (Crypturellus n. zabele).

Vocaliza com frequência do começo da primavera até o final do verão.Sua vocalização padrão consiste numa sequência de 4 notas, sendo a primeira alongada e descendente, e as seguintes curtas e lineares. Emite também um único pio curto e agudo, como advertência ou desafio à outros machos da espécie. Seu piado é ressoante e pode ser ouvido à distância, e no período da reprodução piam inclusive noite adentro. Diferentemente dos machos as fêmeas da espécie piam baixo e de forma variada, normalmente ao amanhecer e no crepúsculo. Apresentam as fêmeas mínimas diferenças no colorido da plumagem, sendo esse em geral um pouco mais claro.

Possui uma subespécie no Nordeste do Brasil, o zabelê (Crypturellus noctivagus zabele), que ocorre à partir de MG e BA, onde também é chamado por zebelê e zambelê. Essa, apresenta coloração geral mais pálida e com riscas claras mais evidentes na cabeça. Tal variação é devida à sua adaptação aos ambientes mais ensolarados como os da Caatinga e veredas.

Outro detalhe que as diferencia, é o da subespécie zabele possuir os tarsos de coloração amarelo-claro, e a espécie noctivagus os possuir de coloração tendente à olivácea. Os ovos da espécie noctivagus são pouco mais arredondados ou esféricos que os da subespécie zabele.

Sua vocalização também possui uma modulação um pouco diferente daquela emitida pela espécie noctivagus, do litoral leste e sul do Brasil; sendo a do zabelê em geral mais baixa e com dialetos locais já estudados.

O desmatamento e a ocupação imobiliária de suas áreas de ocorrência natural, têm contribuido para ameaçá-lo; ocorrendo mesmo extinções locais. É espécie cinegética.


jaó-do-sul adulto

Alimentação

Alimenta-se principalmente de sementes, pequenos frutos de palmeiras, como Euterpe oleracea, e também os das plantas: tapiá, oiticica, curubixá, cupá; bem como insetos, vermes, aranhas, moluscos e ainda vegetais de folhas tenras, como certas gramíneas e também boa quantidade de grãos de areia.

Reprodução

Uma característica na reprodução dessa espécie, é a da formação de haréns de fêmeas no período de acasalamento (à exemplo de C. strigulosus), que se reúnem a um macho solitário e dominante. Fator que contribui para resultados normalmente escassos, obtidos em sua reprodução em cativeiros conservacionistas, em não se dispondo de uma proporção adequada entre os sexos. O período do acasalamento ocorre de setembro a janeiro, quando então podem ser ouvidas as vocalizações dos machos. Além dessas vocalizações, ocorre também um display de acasalamento onde o macho se aproxima da fêmea em postura ereta, com leve agito das asas e em seguida corre, fugindo dela por uns 2 metros com as asas meio erguidas, cabeça baixa e penas traseiras eriçadas. Ele pára, volta-se de frente para ela e reinicia a aproximação lentamente. Ao aceitá-lo, ela fica em posição ereta e tremula as asas, agachando-se rente ao solo. O macho então sobe sobre ela, pisando-a e em seguida copula.

O ninho é simples, apenas um ajuntamento de folhas secas sobre um leve rebaixo do solo. É geralmente construído aos pés ou entre as raizes tabulares de árvores como as sapopembas ou moitas como as de gravatás, como exemplos. Sua postura é de 2 a 3 ovos de coloração verde-clara, incubados por 18 dias em média. Por vêzes, várias fêmeas fazem suas posturas num mesmo ninho. A incubação é feita pelo macho, que cobre os ovos com folhas secas ao sair do ninho, ocultando-os. Também é o macho que cria e protege os filhotes.


Ovo de jaó-do-sul

Filhote de jaó-do-sul

Hábitos

Segundo relatos abalizados, essa espécie apresenta distribuição esparsa e irregular em seu habitat, na floresta atlântica primária; e dentro dele, suas áreas de maior ocorrência pontual seriam nas proximidades de leitos secos de lagoas, recobertos por vegetação rasteira entremeada por gramíneas. Tem relativa tolerância às alterações antrópicas, sendo observada a sua ocorrência em pequenas áreas de floresta primária, circundadas por pastos e plantações.

Distribuição Geográfica

Sua distribuição geográfica abrange os Estados do ES, RJ, SP, PR, SC e RS. Havendo relatos para o extremo sul da Bahia.


  Ocorrências registradas no WikiAves

Referências

  • MASSARIOLI, Marcos, “Estudo Taxonômico e Comportamental do Jaó do Litoral (Crypturellus n. noctivagus)”, UNIABC-SP, 2004

Galeria de Fotos

 
jao-do-sul.txt · Last modified: 2010/08/22 17:15 (external edit)