Thamnophilidae
Classificação CientíficaComposição6 Subfamilys
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Sons
Esta é uma grande família de suboscines neotropicais, até recentemente aliados aos Formicariidae. Estudos de hibridização, feitos com seu DNA, justificaram sua separação em família à parte. Evidentemente em virtude do vasto número de espécies que congrega, trata-se de família altamente polimórfica englobando espécies predominantemente silvestres, com hábitos alimentares uniformemente insetívoros. Ocupam praticamente todos os nichos que uma floresta pode oferecer a um pássaro insetívoro, desde o sub-bosque até as copas, havendo espécies sintópicas pertencentes a um mesmo gênero, mas cada qual forrageando em estratos diferentes de vegetação como acontece com Myrmotherula ou Dysithamnus. Esse fenômeno se torna possível em virtude da ampla biodiversidade das florestas brasileiras, tanto que apenas recentemente os ornitólogos esboçaram os primeiros traços de padrões de comportamento tão complexos quanto interessantes em pássaros neotropicais. Frequentemente espécies dos mais variados gêneros seguem correições de formigas do gênero Eciton ou Labidus. De fato, com relação às cores, os padrões da plumagem são modestos ou com marcas entre cinza e branco e entre preto e branco ou a associação daquelas cores com o castanho e o ocre, principalmente na plumagem das fêmeas e dos jovens machos. Também em relação ao nome “papa-formigas” ou “papa-taocas” em alusão ao nome indígena das formigas de correição, raramente um thamnophilídeo seguidor de correições devora um desses himenópteros, aproveitando-se mais dos insetos afugentados pela vasta legião de formigas no sub-bosque, conforme demostraram os estudos de E. O. Willis. Visando explorar determinados biótopos do sub-bosque, rico em poleiros verticais e pobres em poleiros horizontais, muitas espécies desenvolveram dedos com estrutura sindáctila ou seja, o segundo e o terceiro dedo são unidos na base, tornando o conjunto mais reforçado, o que auxilia tais espécies a capturarem presas nesses poleiros verticais.
Thamnophilus - Esse gênero reúne pouco mais de uma dezena de espécies com padrões de plumagem diversos, tanto em relação aos machos como em relação às fêmeas. A plumagem dos machos juvenis consiste em uma combinação de plumagem de ambos os sexos. Frequentemente, apresentam manchas brancas que são como placas sinalizadoras, ocultas no dorso. Essas placas permanecem ocultas na maior parte do tempo, sendo ocasionalmente exibidas. Os pássaros desse gênero vivem em quase todos os tipos de formações vegetais, desde matas até cerrados e caatingas. Muitas espécies possuem inúmeras raças geográficas ou subespécies. Usualmente desenvolvem cantos atrativos e harmônicos e algumas espécies cantam em duetos. Capturam suas presas nos estratos médio e alto e, ocasionalmente seguem correições. Constroem seus ninhos usualmente na beira da mata sobre forquilhas, de forma semelhante aos dos
Pipridae. Recentemente algumas subespécies de
Thamnophilus punctatus foram elevadas à categoria de espécies independentes (Isler et al. 1997).
Thamnophilus doliatus (Thamnophilus doliatus)
Dysithamnus - No aspecto geral, os pássaros nesse gênero se parecem com pequenos
Thamnophilus, mas Dysithamnus reúne apenas quatro espécies em território brasileiro. Vivem em florestas primárias e secundárias e capoeiras altas. Usualmente, integram bandos mistos aos casais e seu ninho segue o padrão básico da família.
Dysithamnus mentalis (Dysithamnus mentalis)
Thamnomanes - Reúne apenas quatro espécies com padrões muito uniformes de morfologia e plumagem. No comportamento, lembram as espécies do gênero anterior e, frequentemente, congregam bandos mistos com “espécie nuclear”. Consta que algumas espécies emitem deliberadamente certos gritos de alarme “para debandar a passarada”, quando competem por determinada fonte de alimento, aliviando a concorrência. Tal comportamento derivou sua denominação popular de “uirapuru”.
Thamnomanes caesius (Thamnomanes caesius)
Myrmotherula - Este é o gênero que reúne o maior número de espécies da família. Muitas espécies podem ser sintópicas e em certas regiões, 10 a 15 espécies podem ser observadas num mesmo bando misto, cada qual forrageando num estrato diferente ou atuando sobre presas diferentes e explorando substratos diversos. Só recentemente a complexa dinâmica desses grandes bandos mistos recebeu a atenção de ornitólogos de campo, alertando sobre nossa completa ignorância a respeito das relações interespecíficas dos pássaros em florestas tropicais e sobre os perigos da exploração irracional das matas. Genericamente todas as espécies seguem bandos mistos, frequentemente deslocando-se em casais e eventualmente em pequenos grupos familiares. Capturam insetos e pequenos artrópodes, utilizando técnicas e substratos diversos. Algumas espécies seguem correições de formigas dos gêneros Eciton e Labidus. Como vivem em florestas, muitas espécies estão ameaçadas ou vulneráveis pela destruição de seu habitat, principalmente na Mata Atlântica.
Myrmotherula snowi (Myrmotherula snowi)
Formicivora - Pelo padrão geral de colorido da plumagem, as aves desse gênero recordam certos pássaros de
Drymophila e
Myrmotherula ou ainda certas espécies do gênero
Herpsilochmus. Apresentam hábitos similares às espécies desses gêneros tanto no comportamento geral como nos hábitos reprodutivos e na construção do ninho. Acompanham bandos mistos agrupados em casais, mas raramente seguem correições de formigas.
Formicivora rufa (Formicivora rufa)
Drymophila - Gênero composto por espécies de vasta distribuição no Brasil oriental, com poucas espécies na Amazônia e nos Andes. Apresentam plumagem similar a certos
Terenura, mas ocupam estratos mais baixos de florestas úmidas e, muito raramente, sobem até o dossel. Seguem bandos mistos reunidos em casais ou em pequenos grupos familiares, ao lado de outros membros da família pertencentes aos gêneros
Dysithamnus,
Pyriglena,
Myrmotherula e outros. Aparentemente, não seguem correições de formigas. Possuem cantos distintos, de fácil assimilação. Muitas de suas espécies podem ser sintópicas. O ninho segue o padrão típico da família.
Drymophila malura (Drymophila malura)
Terenura - Composto por poucas espécies de pequeno porte e cuja plumagem é semelhante à de certas espécies do gênero
Drymophila, das quais se distinguem pelos tons claros das partes inferiores. Acompanham bandos mistos pelas copas e pelo subdossel e, aparentemente, nunca seguem correições de formigas. Muitas espécies forrageiam formando casais, ao lado de certos vireonídeos do gênero
Hylophilus, que vasculham, de forma acrobática, aglomerados de folhas secas e a superfície das folhas verdes nos ramos periféricos das árvores. Seus ninhos seguem o padrão típico da família.
Terenura maculata (Terenura maculata)
Cercomacra - Nesse gênero, os machos se vestem de cores sóbrias, cinza ou preto e possuem asas e cauda maculadas ou não de branco. As fêmeas apresentam plumagem em tons ferrugíneos na maioria das espécies. Apresentam certa semelhança com espécies do gênero
Pyriglena, mas delas diferem pelos olhos de cores apagadas e não escarlates como os daquelas. Seguem bandos mistos em florestas úmidas e, como espécies periféricas ou indiretas, seguem ocasionalmente correições de formigas. Diferentes do padrão típico da família, constroem um ninho com matéria vegetal em forma de bolsa e com entrada lateral, próximo do solo, no emaranhado da vegetação ou nas copas das árvores, conforme a espécie.
Cercomacra brasiliana (Cercomacra brasiliana)
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Terenura maculata (Wied, 1831) -
zidedê
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Myrmorchilus strigilatus (Wied, 1831) -
piu-piu
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Thamnomanes caesius (Temminck, 1820) -
ipecuá
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Thamnophilus cryptoleucus (Menegaux & Hellmayr, 1906) -
choca-selada
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Thamnophilus divisorius Whitney, Oren & Brumfield, 2004 -
choca-do-acre
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Batara cinerea (Vieillot, 1819) -
matracão
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Mackenziaena severa (Lichtenstein, 1823) -
borralhara
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Hypocnemoides maculicauda (Pelzeln, 1868) -
solta-asa
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Drymophila ferruginea (Temminck, 1822) -
trovoada
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Drymophila squamata (Lichtenstein, 1823) -
pintadinho
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Willisornis poecilinotus (Cabanis, 1847) -
rendadinho
Phlegopsis nigromaculata (d'Orbigny & Lafresnaye, 1837) -
mãe-de-taoca
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SIGRIST, T. Avifauna Brasileira:
The avis brasilis field guide to the birds of Brazil, 1ª edição, São Paulo:
Editora Avis Brasilis, 2009.