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Tico-tico

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Classificação Científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
SubOrdem: Passeri
Parvordem: Passerida
Família: Emberizidae
 Vigors, 1825
Espécie: Z. capensis
Nome Científico
Zonotrichia capensis
(Statius Muller, 1776)
Nome em Inglês
Rufous-collared Sparrow

Estado de ConservaçãoPouco Preocupante

Fotos | Sons

Tico-tico

O tico-tico é uma ave passeriforme da família Emberizidae. É um dos pássaros mais conhecidos e estimados do Brasil. Seu nome vem do tupi e deriva do seu chamado. Esta ave e o pardal são duas espécies comuns em áreas urbanas e muitas pessoas as confundem apesar de terem diferenças facilmente percebíveis. Entre os nomes populares conhecidos, destacam-se: “salta-caminho” (Pernambuco e interior da Paraíba), titiquinha e ticão, gitica, mariquita-tio-tio (São Paulo), tiquinho (Paraná), toinho (Paraíba - Região do Seridó Ocidental) e piqui-meu-deus (sul do Ceará).

Características

Pássaro de porte médio que mede 15 centrímetros de comprimento. Possui o corpo compacto, com asas e cauda de tamanhos regulares, pernas e pés delgados e bico cônico e forte. A coloração dorsal é pardo-acinzentada, tendo a cabeça cinza com 2 tiras negras que partem da base da maxila indo até à nuca, com parte central cinza, também partindo da mesma base e alargando-se para a nuca.

As faces são de cor cinza, com 2 tiras negras de cada lado que vão até a região do pescoço, uma partindo do canto posterior do olho e outra do canto do bico. Pescoço com uma faixa cintada de cor vermelho-ferrugínea que desce até os lados do peito alto, onde se encontra com uma mancha negra.

Porção intermediária dorsal de cor pardo-cinza com coberteiras, inclusive das asas com manchas negras e restante do baixo dorso pardo-cinza. No encontro das asas as penas terminam com faixa branca. Garganta branca, peito e abdômen cinza-esbranquiçados, sendo mais claro na parte central. Apresenta um pequeno topete com desenho estriado na cabeça.

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

Canto noturno e canto de susto: ao cair a noite emite um canto diferente, forte, caracterizado por prolongamento e acentuação das últimas notas, como: “hü, djü, djü ziü-ziü-ziü”.O povo de Minas Gerais acredita que quando o tico-tico canta na manhã ele está dizendo: “Bom dia, seu Chico”. O canto noturno causa impressão tão diferente do canto diurno que o leigo no assunto pode tomá-lo por vocalização de outra espécie de pássaro. O canto noturno ocorre de dia em situação de extremo susto, sendo produzido uma vez só, com todo o vigor.


tico-tico adulto

tico-tico jovem






Indivíduo com plumagem leucística


tico-tico (Zonotrichia capensis)

O que é leucismo?

O leucismo (do grego λευκοσ, leucos, branco) é uma particularidade genética devida a um gene recessivo, que confere a cor branca a animais geralmente escuros.

O leucismo é diferente do albinismo : os animais leucísticos não são mais sensíveis ao sol do que qualquer outro. Pelo contrário, são mesmo ligeiramente mais resistentes, dado que a cor branca possui um albedo elevado, protegendo mais do calor.

O oposto do leucismo é o melanismo.

Alimentação

Alimenta-se de sementes, brotos, frutas, insetos (besouros, formigas, grilos, cupins alados e larvas). Costuma frequentar comedouros com sementes e quirera de milho. Também já foi visto comendo ração para cães.


tico-tico se alimentando

Reprodução

Primavera-verão. Durante a reprodução vivem estritamente aos casais sendo extremamente fiéis a um território, que o macho defende energicamente contra a aproximação de outros machos de sua espécie. Tornam-se assim fáceis vítimas de caçadores. O ninho é uma tigela aberta e rala, feito de capim seco e raízes. A fêmea bota de 2 a 5 ovos, que são de cor verde-amarelado com uma coroa de salpicos avermelhados, medindo cerca de 21 por 16 milímetros em seus eixos e pesando de 2 a 3 gramas. A incubação se faz em 13 a 14 dias e os filhotes nidícolas são cuidados pelo casal. Os filhotes deixam o ninho entre 16 e 22 dias de vida para acompanharem os pais que ainda os seguem alimentando por vários dias. Os tico-tico jovens estabelecem territórios entre o 5º e o 11º mês de vida. Sofrem pesadas perdas de sua própria prole, pois o vira-bosta é uma ave parasita que retira os ovos do ninho do tico-tico e põe os seus. A pressão exercida chega a ser tão grande que, em certos locais, o tico-tico é eliminado.


Casal de tico-tico

Ninho de tico-tico

Ovo de tico-tico

Filhote de tico-tico

Hábitos

É comum em paisagens abertas, plantações, jardins, pátios e coberturas ajardinadas de edifícios. Abundante em regiões de clima temperado e também em cumes altos expostos a ventos frios e fortes. É favorecido pelo desmatamento e pela drenagem de alagados, aumentando sua área de ocorrência. Vive em casais isolados, sendo que o macho ataca tico-ticos vizinhos que invadam seu território. Entre os traços interessantes do seu comportamento figura a técnica de esgravatar alimento no solo por meio de pequenos pulos. Para removerem a camada superficial de folhas ou terra solta que recubra o alimento. Perscrutando o terreno à sua frente pulam até 4 vezes consecutivas verticalmente sem alterar a posição das pernas e esgravatando o chão com ambos os pés sincronizadamente jogando para trás o material impeditivo. A tendência de executar tal movimento pelo tico-tico é tão forte que mesmo quando come algo sobre uma laje de cimento limpo ou num quintal pula da mesma forma.


Bando de tico-tico

Predadores


Cobra-verde (Philodryas olfersii)

murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana)

Subespécies

Existem 25 subespécies reconhecidas (alguns autores reconhecem até 29): (__Subespécies brasileiras estão marcadas em asterisco. Obs: N: Norte, S: Sul, L: Leste; O: Oeste; C: Centro; NE: Nordeste; NO: Noroeste)

septentrionalis Griscom, 1930 - Montanhas do S Mexico (Chiapas) S para Honduras e El Salvador.

costaricensis J. A. Allen, 1891 - montanhas de El Salvador, Costa Rica e O do Panamá (L até Veraguas); Montanhas Santa Marta (N Colombia) e Andes da Venezuela (S de C Lara) S para o Equador.


Zonotrichia capensis costaricensis

antillarum (Riley, 1916) - Cordillera Central, na República Dominicana.

orestera Wetmore, 1951 - Cerro Campana (Extremo SO Panamá),

insularis (Ridgway, 1898) - Curaçao e Aruba , nas Antilhas Holandesas.

venezuelae Chapman, 1939 - N & C da Venezuela

inaccessibilis Phelps, Sr & Phelps, Jr, 1955 - Rio Yatúa, no Cerro de la Neblina, no S da Venezuela.

*roraimae (Chapman, 1929) - Sierra de la Macarena no C da Colombia; L & S da Venezuela e Guiana e N do Brasil.


Zonotrichia capensis roraimae

*macconnelli Sharpe, 1900 - cume do Monte Roraima, no estado de Bolívar (SE Venezuela) e Brasil.


Zonotrichia capensis macconnelli

Canto (Zonotrichia capensis macconnelli)

*capensis (Statius Müller, 1776) - no NE Guiana Francesa; presumivelmente também no Amapá.


Zonotrichia capensis capensis

*novaesi Oren, 1985 - no Serra dos Carajás no leste do Pará.


Zonotrichia capensis novaesi

huancabambae Chapman, 1940 - N & C do Peru

illescasensis Koepcke, 1963 - Cerro Illescas (Piura), no NO do Peru.

peruviensis (Lesson, 1834) - Peru de La Libertad para Tacna e nos Andes.

carabayae Chapman, 1940 - Andes do C do Peru (Junín)e ao S até a Bolivia (La Paz e Cochabamba).


Zonotrichia capensis carabayae

pulacayensis (Ménégaux, 1908) - Pulacayo e Pampas de Pazña, no O da Bolivia.

*tocantinsi Chapman, 1940 - Ao longo do R Tocantins.


Zonotrichia capensis tocantinsi

Canto (Zonotrichia capensis tocantinsi)

*matutina (M. H. C. Lichtenstein, 1823) - Nordeste (do Maranhão até a Bahia) e centro do Brasil (Tocantins, Goiás e N do Mato Grosso)e leste da Bolívia (Santa Cruz).


Zonotrichia capensis matutina

Canto (Zonotrichia capensis matutina)

*subtorquata Swainson, 1837 - Sudeste e sul do Brasil, Paraguai, NE da Argentina (Misiones) e Uruguai.


Zonotrichia capensis subtorquata

Canto (Zonotrichia capensis subtorquata)

mellea (Wetmore, 1922) - C do Paraguai e N da Argentina (Formosa).

hypoleuca (Todd, 1915) - L & S da Bolívia (Cochambama, Santa Cruz, Chuquisaca, Tarija, possivelmente também em La Paz) e nos llanos do N da Argentina.

antofagastae Chapman, 1940 - Tarapacá e Autofagasta, no N do Chile.

chilensis (Meyen, 1834) - C do Chile

sanborni Hellmayr, 1932 - Andes de Coquimbo e Aconcágua (Chile) e San Juan (O da Argentina).


Zonotrichia capensis sanborni

choraules (Wetmore & J. L. Peters, 1922) - L da Argentina em Mendoza, Neuquén and Río Negro.

australis (Latham, 1790) - Reproduz no S do Chile (ao S de Aysén) e S da Argentina

Distribuição Geográfica

Todas as regiões do País, com exceção das áreas florestadas da Amazônia. É migratório no Rio Grande do Sul e Paraná, aparecendo em bandos provavelmente procedentes dos países vizinhos. Encontrado também do México ao Panamá e na maior parte da América do Sul até a Terra do Fogo (Argentina). Apesar de ser uma ave extremamente comum, tem se notado que em certos lugares os tico ticos tem ficados mais raros, as vezes sumindo de certas áreas (provavelmente por causa do parasitismo do vira-bosta)


  Ocorrências registradas no WikiAves

Referências

Galeria de Fotos

 
 
tico-tico.txt · Última modificação: 2013/03/27 10:08 por caduagne