
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Accipitriformes |
| Família: | Accipitridae |
| Vigors, 1824 | |
| Espécie: | M. guianensis |

O uiraçu-falso é uma ave accipitriforme da família Accipitridae. Conhecido também como gavião-real-falso.
Segundo alguns autores este gênero é insuficientemente distinto do gênero Harpia, fato confirmado por meio de estudos moleculares posteriores, que sugerem a manutenção de Morphnus como um gênero distinto de Harpia injustificável.
Segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçada da IUCN, M. guianensis é indicado como “quase ameaçada” (NT - Near Threatened). Nas listas estaduais de espécies ameaçadas não há consenso sobre o atual status da espécie: na lista do Rio Grande do Sul é indicada como provavelmente extinta; na lista do Paraná, como regionalmente extinta; em São Paulo, criticamente em perigo e, no Rio de Janeiro, provavelmente extinta. Stotz et al., (1996) indica para M. guianensis prioridade média de conservação e, alta para pesquisa (em Soares et al., 2008).
Mede de 81 a 91 cm de comprimento, sendo as fêmeas maiores e mais robustas que os machos, fato comum aos accipitriformes. Na cabeça, esbranquiçada ou acinzentada, apresentam penacho escuro, com uma única pena negra medial maior, diferenciando-o do gavião-real (Harpia harpyja), com duas penas. Pode apresentar-se tanto em fase clara como escura (melânica). Na fase clara, mais comum, o ventre é predominantemente branco, com estrias bege-claro, a partir do peito acinzentado. A cauda apresenta padrão barrado. Em vista dorsal, as asas são negras. O padrão melânico, pouco comum, foi inicialmente descrito como espécie distinta, sendo desconsiderada posteriormente. Apresenta-se quase totalmente negro, ponteado de branco, e estrias brancas no ventre.
Caça outras aves como jacus e jacamins, embaixo de fruteiras (Sick, 1997).
Quanto a alimentação, a maioria dos relatos trata de pequenas notas de pesquisadores de outros grupos e, que presenciaram ataques da ave. Podem ser encontrados registros da predaçao por M. guianensis de: pequenos mamíferos e marsupiais, serpentes Colubridae e Boidae, um jupará (Potus flauvus), um anfíbio anuro, além de um ataque, sem sucesso a um grupo de jacamim-de-costas-cinzentas(Psophia crepitans) (Bierregard, 1984); um macaco Pithecia pithecia (parauacú) (Gilbert, 2000); um sagüi (Saguinus geoffroyi), um esquilo (Scirurus sp.) e um filhote de preguiça de três dedos (Bradypus variegatus) (Vargas et al., 2006); pequenos macacos Saimiri sciureus (Robinson 1994), Saguinus mystax e Saguinus fuscicollis (Heymann, 2001); Trail (1987) observou um ataque sem sucesso sobre um lek de galo-da-serra(Rupicola rupicola); um jovem macaco-aranha Ateles paniscus, (Julliot, 1994).
O trabalho mais tradicional e completo sobre a atividade reprodutiva de M. guianensis é o de Bierregard (1984). Este autor localizou um ninho próximo a Manaus, Brasil, numa reserva florestal do Instituto de Pesquisas da Amazônia – INPA, na BR-174 (Amazonas-Roraima). Acompanhou um único ciclo reprodutivo da espécie, e o desenvolvimento de um filhote que, por fim sumiu do ninho, tendo sido provavelmente predado ou morto. Um fato interessante neste casal observado é de que a fêmea apresentava o “morfo” negro da espécie, enquanto o macho apresentava “morfo” claro. Este casal produziu dois ovos, e apenas um filhote nasceu. O ninho estava em uma árvore “jararana” (Lecythidaceae sp.), a aproximadamente 28 metros do solo.
Podemos encontrar o gavião-real em florestas conservadas ou com pouca alteração, chamadas de primárias e secundárias. Esse gavião vive em altitudes que vão desde o nível do mar até acima dos mil metros. Vive sozinho ou em pares, passando boa parte do tempo imóvel, oculto em um poleiro alto de onde procura suas presas.
O uiraçu-falso possui ampla distribuição nas Américas Central e do Sul, entretanto os registros de sua presença no ambiente geralmente são ocasionais ou ocorrem de forma acidental. Na América Central, há registros no México. Na America do Sul como um todo, a espécie foi encontrada em: Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Venezuela, Guiana, guiana Francesa, Suriname, Argentina e Paraguai
No Brasil há ocorrência registrada da espécie nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Amazonas, Amapá, Roraima e no Pará, sob os domínios da Mata Atlântica e da Amazônia.
Morphnus guianensis in southeast Brazil and recommendations for the conservation of the species by means of maintaining their natural habitat]. Hornero Numero Especial:70-73.
14:411-415. (In Portuguese with English summary)
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raptor eggs. Oologists' Record 43:5-6.
Panama. Ornitologia Neotropical 17:581-584.
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